puranga pesika

e se a hiperconexão nos levar de volta ao analógico?

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discos de vinil, câmeras analógicas e crochês.

ao ver a demanda crescente por nuvem, wifi, os slops e “criações” bizarras feitas em inteligência artificial, tenho pensado o quanto isso abre caminho para valorizar o analógico, o físico, o “vintage”: folhear um álbum de fotos (no lugar de fotografias e vídeos perdidas em dispositivos), ler uma revista/jornal (confiando que uma curadoria está trazendo conteúdo de qualidade), quem sabe até ir presencialmente receber atendimento (no lugar de falar com chatbots ou telefonemas automatizados que nunca nos levam à solução).

é isso mesmo, um still de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001)

a venda física de música está se expandindo. adolescentes estão fazendo crochê. a Copa tá chegando e o Brasil é o país que mais consome álbum de figurinhas.

na verdade, esses até que são exemplos “fofinhos”. se já temos golpes de “roubo de voz” com uso de IAs, pode ser que fazer coisas à moda antiga ou ver alguém pessoalmente se torne uma necessidade em determinados casos (isso e desenvolver novas técnicas de segurança em caso de dados vazados).

mas há também o cansaço da dependência do celular e de algoritmos; a nostalgia de quando escolhíamos ficar offline; o desejo por menos estímulos e por lentidão.

Foto de Marina Erkamova / Unsplash 

se for o teu caso – como é o meu –, estaremos na moda em 2026. é o que aponta uma pesquisa sobre tendências para 2026 feita por uma agência que entrevistou 4.500 pessoas em 7 países, sendo eles Brasil, China, Índia, Espanha, Reino Unido, EUA e Japão.

claro, eu adicionaria ao balaio de motivos para um mundo mais analógico a resistência (ao contrário do que o mercado interessado faz aparentar, sim, ela existe) a inserções de mecanismos de IAs em tudo que é tipo de plataforma. é exaustivo tentar não escorregar o dedo e sem querer acionar um novo botão de IA onde anteontem havia, ali, outra funcionalidade.

mas vamos aprofundar o papo sobre crítica e resistência à IA outro dia.

paralelamente a isso, quem aguenta tantos anúncios, interrupções, ansiedade? o analógico nos convoca à presença, mexe com os nossos sentidos e nossa atenção de forma diferenciada.

algumas pessoas se voltaram à cerâmica fria; esse ano comecei a preencher revistas de caça-palavras/palavras-cruzadas.

se tu tens um hobby analógico, me conta aí, eu quero saber.

esse texto foi publicado primeiro na newsletter "palavra é corpo". para leituras sem intermédio algoritmos:

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