
varreram a floresta
para baixo de um tapete cinza
apagaram animais
e nos rios jogaram tinta
queimada, desmatamento,
óleo que vaza,
caça, mineração,
extinção de vida sagrada
quanto Vale a ganância?
se o dinheiro é folha
que não podemos comer?
os pássaros gritam,
a terra chora,
e o que é que eles estão a fazer?
povo indígena
de sua terra é expulso
“vai pra favela, maloqueiro”
êxodo rural e etnocídio em curso
as árvores sangram
para tingir tecidos europeus
morte e extermínio
também em nome de um único deus
essa “pátria” rima mesmo
com “patrão”
como acham possível progredir
no meio de tanta destruição?
brasil, tuas mãos estão vermelho sangue;
em nome de uma bandeira
tu construiu um cemitério
e chamou os muros de fronteira
quero ver como tu vais explicar pros teus netos
a simbologia desse verde
se mesmo com tanta morte
com a destruição tu continua de flerte
e fique sabendo,
quando não houver mais rio-mar,
não vai adiantar se arrepender
ou só chorar
mas agora
ainda é hora de agir
ainda há chance de mudar
poesia autoral, fevereiro/2019